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Segunda-feira, 15 de Julho de 2024
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A desventura do jovem galego.

A culpa foi do seu patrão...

José Luiz Ayres
Por José Luiz Ayres
A desventura do jovem galego.
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A desventura do jovem galego

 

Procedente da Espanha, mais precisamente da Galícia, desembarcava no Rio de Janeiro o jovem de nome Eulógio, que fugindo do estado belicoso que a Europa se encontrava, resolveu por solicitação do amigo José, a convidá-lo a vir ao Brasil a trabalhar na sua marcenaria. Aqui então aportando, aliviou-se da tensão que o fustigou pelos longos dias de travessia do Atlântico. Afinal o temor e a preocupação em ser atingido por submarino alemão se evidenciava.

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No píer da Praça Mauá, sem nada conhecer, sem se fazer entender por questões linguísticas, optou por permanecer no local. Todavia, após horas de angustia e incertezas, foi abordado por um policial que o encaminhou ao Departamento de Imigração, onde conseguiu se comunicar através de um intérprete e, após os trâmites legais, foi colocado num táxi pela imigração a encaminhá-lo ao endereço do amigo José, que o recebeu e pagou a corrida do veículo.

 

Passando a trabalhar como auxiliar e ajudante na marcenaria, Eulógio aos poucos, pela força de vontade, foi se desenvolvendo e não demorou a integrar-se a nova vida a passar a ser “Pau pra toda obra”. Com o decorrer do tempo, já dominava as tarefas da empresa, inclusive a selecionar as toras de madeira a serem utilizadas na confecção das peças dos mobiliários.

 

 E assim cada vez mais laborioso tronou-se pessoa importante e confiável, a ponto de exercer a função em representar a empresa em algumas situações, embora o domínio da língua ainda se fizesse dificultosa, já que o espanhol  da Galícia é um dialeto diferenciado e complicado bem diferente da própria língua mãe,

 

Certa feita, dada mensagem recebida dando conta de um carregamento de toras que havia chegado a Santos, oriundo de Goiás, mas pela impossibilidade do transporte marítimo por falta de cargueiros disponíveis, a administração do porto recomendava seguir via férrea e, como tal, necessitava à presença de um representante visando o despacho da mercadoria ao Rio de Janeiro.

 

Escolhido, Eulógio partiu levando todas as coordenadas a serem executadas no sentido de como chegar a Santos, baseado no roteiro férreo a ser seguido e o procedimento burocrático junto ao porto e a ferrovia sobre o fretamento da carga ao Rio de Janeiro.

 

Os dias se passavam e nada de notícias, quando chega à empresa um comunicado da Central do Brasil dando um prazo de 48:00hs à retirada do vagão das toras procedentes de Santos, bem como providenciasse o pagamento da fatura anexa visando à liberação do frete, sem o que permaneceria retida sujeita a multa pela permanência no parque ferroviário em São Diogo. Aquele comunicado deixou José preocupado. Onde estaria Eulógio? Porque não deu notícia? Será que aconteceu algo de grave?

 

A quase completar 20 dias de ausência, eis que surge na marcenaria; abatido, magro, de aspecto subnutrido, Eulógio, e passou a narrar o que ocorreu nesta desventura, a qual se meteu no que desembarcou a Estação da Luz em São Paulo. Em meio à agitação da gare, indo as bilheterias solicitou uma passagem ao “porto”.

 

 De posse do bilhete que marcava o horário do trem em uma hora, encaminhou-se a plataforma de embarque e a hora marcada, acomodado ao vagão lá se foi o galego. Depois de horas de viagem com o corpo dando sinais de esgotamento, finalmente ia deixar o trem, no que ocorreu. Só que ao caminhar e deixar o local estranhou a não presença do mar e resolveu, com certa dificuldade, pela língua num dialeto galego, procurar informações sobre o mar e o porto.

 

 Para sua surpresa estava a vários quilômetros do porto de Santos, pois se encontrava à cidade de “Porto Ferreira – SP”. Sem saber como agir, retornou a estação e o que conseguiu era pegar um trem para Campinas na manhã seguinte ou pegar um noturno a baldear a Ribeirão Preto.

 

Totalmente perdido em meio aquele caos que se encontrava, optou pelo transporte rodoviário e ainda foi pior e mais perdido ficou e cada vez mais distante do mar, que seria a atingir o destino. Assim seu tormento, diante de tantas agruras, tornou-se verdadeiro drama e sem ter como se comunicar, vez que não possuía o telefone da empresa; na época bem complicada em se fazer, o que levou o galego ao desespero.

 

Depois de dias perdidos em São Paulo, com o drama a torturá-lo, pois o dinheiro trazido já se escasseava, quando à cidade de Botucatu, com muita fome, dirigindo-se a um bar de nome Oviedo, é atendido por um senhor; o proprietário, que ao chegar a atendê-lo, notou tratar-se de um patrício. Identificando-se, após alimentar-se, contou sua história, que penalizado o homem sensibilizado lhe deu todo apoio para chegar a Santos, traçando toda a rota, o que aconteceu. Só que ao saltar do trem, vendo o mar, dirigiu-se ao porto. Mas para sua tristeza a carga já deveria pelo tempo estar no Rio de Janeiro, segundo o despachante portuário ligado a administração. Seguro de si, desta vez o jovem Eulógio retornou sem nenhuma dificuldade ao Rio de Janeiro.

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