As “savanas” sul-mineiras
Você caro leitor, deve estar meio pasmo pelo título da crônica, afinal savanas é o tipo de vegetação escassa, ou seja; apenas mato, encontrada nas extensas planícies, do continente africano, em que vivem quase todas as espécies de animais classificados de selvagens, cuja preservação tem sido mantidas por organismos internacionais, sustentados pelo turismo e abnegados defensores das espécies
Há mais ou menos uns 20 a 25 anos atrás, fui convidado a participar de uma sessão extraordinária à Academia Literária de Varginha, pelo Sr. Presidente, me perdoe o lapso, mas não me recordo o nome, e ao dia marcado de acordo com o convite enviado, à véspera, lá estava embarcado no ônibus da Beltour, as 8 horas com o destino a longa viagem até a cidade de Varginha, cujo trajeto seria feito entre o jornal, os cochilos naturais, as visões panorâmicas das rodovias, seu povo interiorano, enfim, a curtição pela viagem rodoviária, que mesmo se mostrando cansativa, nos traz seus momentos de prazer.
Após as paradas de praxe, visando espairecer, articular as pernas, acionar a coluna pelo tempo sentado e dar a caminhada até aos reservados dos locais, nos alimentarmos com as famosas guloseimas, lá estávamos acomodados à poltrona de olho na estrada seguindo viagem, até que finalmente chegamos ao local onde era previsto o almoço, que confesso, tinha minha barriga a roncar, assim como outros passageiros, mesmo tendo beliscado algo à primeira parada, acorrida há 2hs e 30min
Após degustarmos saborosa e deliciosa refeição, e caminharmos um pouco, tentando acomodar os calóricos ingeridos, lá fomos nós seguindo a nosso destino depois de 1 hora e vinte para o almoço, a complementar com a subida da serra da Mantiqueira, entre algumas paradas extras a saltar passageiros. Finalmente à tarde já dando sinais que o ocaso se avizinhava, chegamos a Pouso Alto, onde tinha uma outra parada extensa, visando um lanche e o espairecimento ao corpo, onde as pernas e coluna já davam o sinal de cansaço. Foi quase uma hora de parada, em que um problema surgiu trazido, não só pelo motorista de um caminhão, mas por outro profissional de outra empresa de ônibus, que apavorados diziam que entre as cidades de Campanha, Cambuquira, Três Corações e Varginha, estavam tanto a PM e mais a Civil, na caça do Leão fugitivo da caravana da trupe circense. Ocorrida as 15,horas, quando cruzava aquela região. Mesmo com todo imbróglio, o motorista deu partida e lá fomos nós ao olho do furacão, como estivéssemos em plena savana africana à caça do rei das selvas, só que no sul de Minas. A cada parada realizada pelo ônibus a deixar passageiros, tinha uma novidade do caso, a dizer que o animal continuava foragido.
Ao atingirmos a rodoviária de Cambuquira, onde duas pessoas saltaram, tivemos a visita de três agentes policiais, a pedir ao motorista que seguisse com atenção, mantendo o veículo internamente às escuras, tendo as janelas fechadas e que seguisse a viagem a Três Corações com muita cautela. Dentro do coletivo, apenas cinco pessoas estavam e mais o motorista. Duas mulheres de meia idade passam a rezar e outros dois cidadãos a trocarem ideias, a dizer que se o bicho estava vivo até àquela hora, portanto sem se alimentar, deveria estar faminto e era perigoso, ainda mais na total escuridão. Eu passei a poltrona da frente e fiquei a procurar pelo bicho. Quando à saída de uma curva, lá estavam alguns PM empunhando seus armamentos. Que nos fizeram parar. Nisso as senhoras que rezavam se arvoram a dizer que o Leão estava acoitado debaixo do ônibus. E ali permanecemos mais de meia hora, quando finalmente chega a notícia trazida por outra viatura policial, a dizer que o animal fora abatido há 1 Km por uma brigada de empregados que faziam a derriça de cafezal. Pois é, nunca imaginei que um dia estivesse às savanas sul mineira a caçar Leão... Durma-se com um barulho desses... E mais, não foi sonho não, foi pura verdade! Segundo nos foi passado, o pobre do bicho, com fome devorou um cachorro, mas tombou-se a se ver cercado pelos boias-frias no cafezal.
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