São Lourenço Atual - Notícias de São Lourenço e Região - MG

Terça-feira, 18 de Junho de 2024
King Pizzaria & Choperia
King Pizzaria & Choperia

Geral

Deus, o trem e Zé Gomes...

Ela estava ali para comprovar.

José Luiz Ayres
Por José Luiz Ayres
Deus, o trem e Zé Gomes...
IMPRIMIR
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

 

 

Deus, o trem e Zé Gomes.

Publicidade

Leia Também:

 

                        Esta crônica, que hoje escrevo, tenho o orgulho de dizer, que foi a primeira do  nosso acervo, escrita para o jornal A Notícia, editado aqui em São Lourenço em 2006, a qual tive a honra de receber elogiosos comentários de muitos leitores, o que me deixou lisonjeado e dar estímulos a seguir nesta caminhada, muito embora já tivesse me iniciado como um  “dito” cronista em outros periódicos de outras cidades as quais me mantenho como  tal, chegando a totalização  até o presente momento, com 738 crônicas e 5 publicações em livro e 3 delas com 2 edições em atendimento a dois hotéis no sul do Pais (SC) e ( RG).

                        Por ter sido a 1ª aqui a ser escrita e como tal foi prioridade entre os jornais os quais colaboro, e, posteriormente, ai sim, exposta nos demais, tive  o elogio um tanto não esprado, o que veio me surpreender e me deixar ainda mais satisfeito por ter agradado vários leitores.

“Turistas” e passageiros fiéis do Trem das Águas, lá iamos, mais uma vez envolvidos pelo prazer e pelas recordações, a admirar e a curtir da janela do vagão paisagens que ressurgiam indeléveis da mente, que há décadas pelas retinas foram gravadas e arquivadas à memória.

Voltando a olhar o interior do vagão, me pus a observar as reações das pessoas: idosos mantinham-se calados a apreciar, os quarentões a conversar com alguns mais extrovertidos e irreverentes a alegrar o ambiente com suas piadas e os mais jovens na sua maneira a curtirem apenas mais um passeio, quando notei à poltrona atrás de nós, uma senhora visivelmente comovida a enxugar as lágrimas incontidas, talvez por possível emoção, que se mostrava inconfortável perante os presentes.

Chegando a Soledade de Minas, final e retorno do percurso, após o tempo destinado visando a se desfrutar da feirinha artesanal entre outros atrativos na estação, aproximei-me da senhora a fim de auxiliá-la na inversão do encosto da poltrona, quando a mesma agradecendo a minha gentileza, resolveu contar o porquê da sua emoção a qual eu vinha observando e me preocupando.

Contando-me, lembrava que uma vida, a sua, devia-se a este trem e, em especial, ao seu Zé Gomes, o maquinista, que na época fora punido com quase demissão da ferrovia (RMV), por não haver parado às estações até Três Corações. Dizia ela, comovida, que o motivo foi à pressa em conduzir ao hospital uma menina, era, exatamente naquele trecho da ferrovia, que seus pais desesperados à margem do leito férreo, munido de um lampião, fizeram parar a composição a fim de socorrer a filha, que fora picada por uma Jararaca e encontrava-se a mercê da própria sorte.

Esta menina hoje, ali com quase 70 anos, emocionada a enxugar as lágrimas e a mostrar a cicatriz acima de seu tornozelo, agradecia a Deus por ter posto aquele trem em seu caminho, e elogiava o grupo de abnegados empreendedores que teve a coragem e a vontade de trazê-lo de volta a essetrilhos, a proporcionar a nós, turistas, além de um prazeroso atrativo, também trazer aos mais idosos a oportunidade de reviver recordações vivas, uma época, em que possivelmente possa-lhes oferecer momentos não só de emoções, como uma integração real ao passado em poder ouvir e soar novamente aqueles apitos que tanto ecoaram em suas vidas, que hoje silenciosos na alma, voltam a ser ouvidos ativamente a proporcionar, ao vivo, instantes de amor nessa reconciliação entre o passado e o presente.

Ah... O quão somos nós, felizes duplamente por poder viajar neste trem e ouvir histórias que nos tocam os sentimentos pela sensibilidade daqueles cuja memória vem relatar o quanto de amor esta Maria-Fumaça ainda representa, guardando em seus anais momentos tão expressivos como o de Dona Anita, a eterna menina salva por um homem chamado Zé Gomes, que pôs em risco seu trabalho mesmo sabedor  que seria dispensado da ferrovia. Só que graças a Deus não ocorreu e sim foi até condecorrado pela empresa pela bravura!

Esta passagem exposta por D. Anita, veio trazer a nós o quanto de beleza representa esta simples, porém magnífica narrativa, cuja emoção trazida  nos faz com que o passado sempre estará vivo em nossa memória. Portanto, se você ainda não desfrutou deste memorável passeio, não o deixe de fazê-lo, mesmo que atribua ser impossível por questões econômicas.

Comentários:
José Luiz Ayres

Publicado por:

José Luiz Ayres

Saiba Mais
King Pizzaria & Choperia
King Pizzaria & Choperia
King Pizzaria & Choperia
King Pizzaria & Choperia

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!