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Segunda-feira, 15 de Julho de 2024
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O ecologista urbano, essa figuraça impoluta,,,

Fui preciso acontecer para crer.

José Luiz Ayres
Por José Luiz Ayres
O ecologista urbano, essa figuraça impoluta,,,
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O” ecologista”  urbano,  essa figuraça impoluta...

               Numa determinada ocasião tivemos o prazer,  em receber um casal de amigos que nos veio visitar e passar um fim de semana prolongado conosco  em Paty do Alferes, RJ, nosso até então , refúgio de lazer. O cidadão era e é uma pessoa que possuía a vida inteiramente voltada ao trabalho, nunca se afastando do Rio de Janeiro visando outros ares menos poluídos, sempre alegando compromissos inadiáveis.     Mas de tanto convidá-lo, conseguimos  convencer a dispor daquele fim de semana.

               A chegada do casal na quinta-feira ao entardecer foi uma “festa”. A alegria estampada no rosto   do casal era tanta, que transformava aquele homem sério e responsável em quase uma verdadeira criança aos  primeiros contatos com a natureza. Tudo era um deslumbre.

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               Mais tarde ,  já    refeito  do   regozijo inicial,   tranquilo   começou   a   discorrer  às   vontades   que   se mantinham reprimidas e deu início a fieira delas.   Entre tantas, mencionou o desejo de tomar leite, pela manhã, de preferência ao vivo no interior de um curral.  Achei  até valida a ideia, só que  o alertava    para o cuidado, dado ao alto teor de gordura no leite “in natura” que  poderá  causar complicações   intestinais  se abusado à ingestão.

               Pela manhã bem cedo,  por volta de 5 horas,  vestindo-se a caráter como um turista   com bermuda, camiseta olímpica de malha,  meias e tênis brancos,   sai com o objetivo  de  ver dos morros circundantes o nascer do sol e integrar-se à natureza em caminhada revigorante pela mata que nos a cercava.

               Por volta de 8 horas,  após o nosso  café matinal  sem a presença  do  nosso     “ecologista urbano”, ficamos à varanda os três, a conversar   animadamente  a  programar nossos  passeios  a  serem realizados, onde certamente gostarão de curtir, pois a região nos oferece belos visuais da conhecida serra Azul.

Com o sol já bem alto,  passando das 10 horas,  observamos à estrada   que  desce  dos     morros,  o amigo   descendo,  apressadamente e,  em minutos , chega-se ao portão  e subindo   a pequena   escada  de acesso.   Sua  fisionomia transtornada, expondo  uma palidez esquisita, ofegante, muito  suado, nada  disse, apenas sussurrando  um bom dia,  passou por nós a seguir porta a dentro,     sumindo no corredor que pelo som de porta que se fecha,  ocupou-se do banheiro.   Sua meteórica passagem deixou um rastro não muito agradável  em consequência de um imaginável sufoco que o acometia e  calados   permanecemos.   Porém, sua mulher com certa preocupação levanta-se  e  vai  a seu encontro só retornando   após alguns   minutos acompanhada do amigo, a demonstrar que algo está errado.   Indaguei o que estava se passando. Bastante abatido com ar de dores,   contou-nos    que havia se excedido no consumo do leite sentindo-se mal, sendo obrigado a ocupar-se  do mato.   Só que na falta de papel , utilizara-se  de algumas folhagens    que por esse recurso o deixou desesperado pela enorme e dolorida ardência sentida,  a ponto  de não  poder  se   conter durante o regresso na caminhada, a cada vez que as cólicas  o  comprimiam  a barriga a obrigá-lo a recorrer ao mato algumas vezes durante a caminhada de volta, cuja ardência cada vez mais o desesperava.

E assim o pobre Rufino, passou o restante do dia, lastimando por não ouvir  as  minhas orientações, quanto ao  excesso na ingestão do leite ao pé da vaca, vez que seu organismo   não comporta  tal    impacto  acostumado com o leite de saquinho diário do nosso centro urbano.

Conclusão, em dificuldade, não  teve jeito a não ser retornar  ao Rio de janeiro cheio de ardência e inchaço  e metido num “fraldão” incômodo que  lhe valeria mais  que uns dias  de sem poder trabalhar. Só que não foi desfrutando do interior, mas sim do interior do quarto sem poder sentar-se.  pois  seu    orifício anal e esfíncter mantinham-se  inchados  pela loucura que foi ao utilizar-se de plantas indevidamente , cujo o conhecimento,  segundo Rufino,  era do tempo que teve o escotismo  como aprendizado  em agir na mata

Infelizmente seus conhecimentos botânicos, ou  não foram   assimilados,  ou os ensinamentos  pelo     escotismo  falharam quando precisou ser utilizado.

Passados  dois dias, fiz contato com o Rufino, e o amigo  ainda convalescente   lamentava  não  ter  me ouvido quanto ao  abuso do leite “in natura”.  Mas desculpando-se , agradeceu pelo péssimo fim de semana, mais que não faltará oportunidade  de nova visita.

É bom alertar ao turista desavisado, que a natureza também oferece as “urtigas” da vida,  que  as tornam mais ardentes, quando achamos que as conhecemos e nos jugamos conhecedores  de ecologia...

Ah... Esses urbanoides  que se dizem  “exper” em natureza, sempre nos brindam com momentos pra lá de pitorescos...

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José Luiz Ayres

Publicado por:

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