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Terça-feira, 20 de Janeiro de 2026
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O medo da "Serpente de ferro"...

E as aparições fantasmagóricas...

José Luiz Ayres
Por José Luiz Ayres
O medo da
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O medo da “serpente de ferro”

            Ali, absorto à plataforma da estação férrea de São Lourenço, em devaneios talvez nostálgicos a trazerem fragmentos do passado a transportar-me  à infância ,discorrendo lembranças entre recordações perenes que marcaram a vida e que hoje recrudescem vivas e nítidas ao simples olhar ao complexo ferroviário, sou surpreendido com a chegada de um cidadão “bem vivido”, que me abordou fazendo indagações ao local e a tecer comentários elogiosos e empolgantes daquilo que provavelmente o tocava no sentimento. Voltando-me a real, o cumprimentei e passamos a trocar conversas baseada, claro, nos trens, que segundo revelou, o tem como fator marcante ao longo da vida.

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            E assim pôs-se a narrar seus momentos, os quais como historiador e observador atento, me puseram a ouvi-los. Entre a gama de episódios, recordava-se de um fato que o deixou por alguns anos, apavorado. Só em pensar que ter de viajar no trem de Borda da Mata, onde residia a Itajubá, cidade natal de seus avós, cuja viagem a cada mês era efetuada acompanhando sua mãe a visita-los. Seu avô um homem rude  vivendo e tirando o seu sustento da sua terra como lavrador e sitiante, tinha entre suas virtudes, ser dado a uma prosa e gostava de contar seus “causos” junto a amigos e companheiros. Numa ocasião, após delicioso jantar, sentando-se a sua cadeira de balanço após preparar alguns cigarros de palha, nos chamou para unir-se a ele a fim de ouvir seus “causos”. Compenetrado ao lado da mãe que também ali se chegou, passaram a ouvi-lo nas famosas fanfarronices históricas. Entre as inúmeras apresentadas, uma, porém, que dizia respeito aos trens que ele chamava de “serpente de ferro”, causou certa apreensão, pavor e muitos arrepios.

            Com a expansão dos ramais férreos a servir novas cidades, havia por parte de alguns “abastados coronéis”, certa resistência em abrir mão de seus latifúndios em favor do desenvolvimento e passaram a criar empecilhos e entraves na permissão das ferrovias em cruzarem até parte de suas terras. Todavia, por força de Lei da coroa, estas proibições foram aniquiladas e os trilhos avançaram no seu destino imposto pelo progresso, a romper seus caminhos a levar e trazer além desse progresso, a cultura aos nossos irmãos interioranos.

            Entre as cidades de Borda da Mata e Santa Rita, segundo a lenda, havia um desses “coronéis”, cuja fama de irascível e truculento o fez tornar-se um eterno lutador por querer defender suas terras da tal Lei de invasão a ter que aceitar dividi-la com o império. Mesmo sobre massificante pressão, teve a  obra ferroviária imposta e concluída na extensão determinada. Arrasado, não conformado, por algumas vezes ainda tentou sabotar a via, que volta e meia tinha o tráfego interrompido. Por fim, vendo sua luta inglória, cansado de dar murro em ponta de faca, cedeu ao inconformismo integrando-se a evolução do progresso. Um dia, porém, foi encontrado sem vida à margem da ferrovia juntamente com seu cavalo negro dilacerado. Sua morte mesmo dada como acidente pela polícia imperial, não foi muito convincente e passou a ser considerada como suicídio, tal o estado depressivo que ultimamente o vinha  acometendo. Esta versão passou a ser considerada e corroborada por alguns testemunhos ao ver as “aparições fantasmagóricas”,  em que o viam galopando sobre os trilhos montado no cavalo negro soltando fogo pelas narinas, indo a direção dos noturnos. Alguns maquinistas, dizia-se, desmaiavam de medo diante da medonha visão sobrenatural. Inclusive alguns descarrilamentos ocorreram. Era prática obrigatória aos passageiros, cerrarem suas janelas e vidros quando da aproximação do trecho férreo, já que orar era a única salvação.

            A partir deste “causo”, seu Jeremias com se disse chamar, nunca mais quis saber de visitar os avós em Santa Rita e teve nos trem seu pavor por vários anos. Sob-risos, seu Jeremias me deixou ao som do tropel de uma parelha de cavalos que puxava uma charrete ao passar do lado externo da estação, onde os apontando, disse que não eram negros e que me despreocupasse...

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