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Segunda-feira, 15 de Julho de 2024
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O pinico de Silvério dos Reis e Eu...

A culpada foi a mijona.

José Luiz Ayres
Por José Luiz Ayres
O pinico de Silvério  dos Reis e Eu...
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O penico do Silvério dos Reis e eu!

 

            Algum tempo atrás, curtíamos a cidade de Ouro Preto, levados que fomos pela vontade imperiosa de rever aqueles monumentos históricos, e sentir mais uma vez o passado que nos deixava maravilhados diante de tanta beleza secular, onde obras de artes de vários e anônimos artesãos se sobressaiam aos nossos olhos, cujo estilo denominado Barroco desponta grandioso a trazer à lembrança, Antônio Francisco Lisboa, o imortal aleijadinho quando, ao entrarmos numa loja de lembranças, me deparei num canto com um penico. A peça em si, jocosa por natureza, na verdade nada representaria se não apresentasse características artesanais diferenciadas concernentes aos elementos decorativos inseridos artisticamente ao seu aspecto físico, confeccionado pelo bom gosto projetado, o que de fato dava um toque bem artístico, no que pese a sua utilização.

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            Olhando aquele objeto, me veio à lembrança um episódio por mim vivido, o qual passei a ser vítima de um fato acontecido quando criança, no ex-museu campanhense, por ser atribuído a mim um ato vandálico de cunho até bem humoroso.

            Como sempre procedia ao chegar à cidade de Campanha – MG, a visitação ao museu entre as poucas coisas a visitar além de curtir com os amigos às peladas no lago seco da pracinha de frente o ex-hotel campanhense; aliás, o único, caminhar pelos campos, matas e bosques de eucaliptos e frequentar a estação férrea entre tantos folguedos à plena liberdade infantil, lá estava àquela tarde a desfrutar do ex-museu, cujo modesto acervo por mim já bem conhecido, quando por acaso presenciei uma cena incrível, a qual me trouxe consequências preocupantes, pois fui considerado um vândalo e ser escorraçado do local quase agredido pela responsável, por ser acusado de praticar tal ato de sabotagem a arte.

            Caminhando às dependências, a apreciar aquelas relíquias expostas a ler os cartazetes dos seus históricos, ao penetrar à sala da Inconfidência, atrás de um armário, uma mulher erguendo-se a expor suas intimidades, segurando um penico, assustando-se, se compôs e de imediato colocou o objeto no lugar determinado. Um tanto perplexo recuei à porta, quando a mesma ao sair do recinto, falou-me: - Menino, você sabe quem foi Joaquim Silvério dos Reis? Pois é, foi o traidor da Inconfidência que levou Tiradentes à forca. Sem que pudesse dar a resposta, entrei à sala me dirigindo ao tal penico e me espantei ao constatar que havia urina. Sorrindo, incrédulo fiquei a matutar o porquê do ato ignóbil praticado, a final o museu possuía banheiros!

            De súbito, me assustei com o retorno da mulher a dizer, que fizesse o mesmo pela indignação e ira ao traidor, “homenageando-o” pela cagada de 200 anos atrás. Ouvindo aquela estapafúrdia recomendação, segui à caminhada, quando logo depois furiosa, tendo à mão o penico, se chega a mim, a perguntar, a responsável pelo museu, o porquê havia feito isto. A pegar-me pelo braço mostrando-me a urina exigindo que fosse lavar o penico. Óbvio que me recusei e indignado falei o que de fato ocorrera, cuja mulher ao ser surpreendida  por mim fora a autora do xixí. Apoiando a peça à mesa, sem aceitar minha defesa, puxando-me pela orelha e no braço, colocou-me fora do local a dizer que ali não mais colocasse os pés, a chamar-me de moleque atrevido.

            Décadas se passaram, ao visitar Campanha, fui conhecer o novo museu e me surpreendi ao dar pela falta do penico do Silvério, mesmo arrolado ao catálogo do acervo. Perguntando pela ausência, me foi passado que pela constância de vandalismo sofrido, aonde pela urina e escarros vem manchando na ação do uso indiscriminado de detergentes e talvez pelo excesso da amônia,a porcelana estaria pela acidez, sendo atacada na corrosão. Mas se quisesse vê-lo, seria mostrada a relíquia.

            Moral da história: Criança sempre é culpada por atos insanos ocorridos, onde adultos envolvidos se aproveitam para se safar, acusando-a de ter praticado!

            Ah... Como criança sofre mesmo sem ser turista, só por ser criança. Mas mesmo assim aquela lembrança me traz um pedaço do meu passado, o qual foi rebuscado do fundo da mente a recordação de um fato, porque não, também histórico, cujo personagem fora eu, embora com uma acusação injusta, a cobrir o vandalismo de uma mulher, que talvez apertada de fazer o seu xixi, se expos aliviando sua vontade a qual flagrei após boa risada...

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