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Terça-feira, 16 de Julho de 2024
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O valor pessoal e não o material...

Euvira no sábado, enfim andou no trem...

José Luiz Ayres
Por José Luiz Ayres
O valor pessoal e não o material...
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O valor pessoal e não material

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          Quando me dirigia à estação férrea de São Lourenço, ao chegar à praça, fui abordado por uma senhora. Mesmo não sendo adepto em dar esmolas, resolvi atender sua solicitação, colocando a mão no bolso no intuito de atendê-la. Em gesto espontâneo, segurando meu braço, disse que não queria dinheiro, mas sim que a auxiliasse. Retirando de sua bolsa a tiracolo, desdobrou me apresentando um amarelado e já bem deteriorado documento chancelado com a sigla da RMV ( Rede Mineira da Viação), o  qual a  franqueava na utilização dos trens graciosamente, em quanto vivesse.

          Sabendo da existência do Trem das Aguas, aqui em São Lourenço e aproveitando a consulta médica no hospital, resolveu caminhar até a estação no propósito de usar o trem de retorno a sua cidade Pouso Alto, onde reside, já que há anos deixou de se utilizar deste transporte quando deixava sua casa todas às segundas-feiras pela manhã e retornava as sextas-feiras nas folgas a passar a trabalhar na casa do Dr. José.

          Lamentando informa-la, que o trem havia deixado de trafegar há alguns anos e que seu retorno apenas era como um turismo no passeio , até Soledade de Minas, um tanto decepcionada e triste, agradeceu-me e quando se pôs a caminhar, a chamei pelo nome, Euvira! Atendendo-me, indaguei se não gostaria de viajar no trem no sábado. Sorrindo, perplexa pelo convite, me acompanhou até a estação e após apresenta-la ao amigo Edelmo, após conversarmos, lhe foi dada uma passagem de cortesia, a qual feliz da vida passou a contar o porquê daquele documento da RMV.

          “Retornava de Pouso Alto com destino a localidade de Freitas, onde morava, naquele fim de semana, quando ao deixar o trem, notou que as malas e sacolas estavam bem mais pesadas do que costumava ser. Como a caminhada a ser efetuada era quase 1 KM da estação, com certa dificuldade a parar algumas vezes, finalmente chegou a sua casa e que ao entrar, largou à sala suas malas e sacolas. Mais tarde ao leva-las para o quarto, observou que uma delas não lhe pertencia. Assustada,  _ pois além de ser uma saca de pano grosso (lona) era dotada de fecho e bem pesada – a abriu. Apavorada ficou, ao ver no seu interior uma quantidade de muito dinheiro. Espalhando pela cama, pôs-se a conta-lo, no que levou um bom tempo. Finda a contagem, lá estavam 5.300 contos de réis. Era uma fortuna. Guardando o dinheiro na sacola depois de anotar o valor, trancou-a no armário e ficou a imaginar em como deveria estar aflito e desesperado o dono da fortuna. Àquela noite não dormiu pensando no desespero que o pobre homem deveria estar. Na manhã de sábado mal ergueu-se da cama, lá foi Elvira a caminho da estação portando a sacola de lona. Lá chegando, dirigiu-se ao Sr. Paulo, chefe da estação, e indagou se alguém deu por falta de alguma coisa ou mala importante. Seu Paulo, atônito e aparvalhado respondeu que sim, mostrando-lhes a mensagem telegráfica recebida, passada pela direção da RMV sobre uma sacola de lona contendo 5.300 contos de réis, destinada ao orfanato de Nhá Chica , em Baependi. Entregando a sacola, juntamente com as anotações dos valores exatos por ela contado, Elvira aliviada despede-se do Sr. Paulo, que a presenteia com o passe livre, o qual passou a viajar sem pagamento da sua passagem enquanto vivesse, acompanhado do recibo de entrega da importância.

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