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Terça, 22 de setembro de 2020
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Cidade

Para Anvisa cabines de desinfecção não tem eficácia e podem prejudicar a saúde

Não existe produto aprovado pela Anvisa para a desinfecção de pessoas

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Questionada sobre as despesas com a locação das cabines de desinfecção sem licitação, a Secretaria de Saúde de São Lourenço esclareceu os gastos de R$ 125 mil por seis meses. Porém, uma nota técnica da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) argumenta que o equipamento não tem eficiência comprovada contra o novo coronavírus e pode causar danos à saúde da população.

De acordo com a nota técnica 51/2020, publicada em maio deste ano, o mecanismo das cabines instaladas em vários pontos da cidade não inativa o vírus dentro do corpo humano, além do risco de causar danos à saúde das pessoas devido aos produtos de limpezas, os saneantes, aplicados diretamente na pele e nas roupas.

A nota ainda destaca que “a recomendação de medidas de higiene pessoal e etiqueta respiratória devem prevalecer para evitar a disseminação do vírus. Além disso, lavar as roupas depois de usadas é suficiente nestes casos. Um problema adicional é que a utilização dessas estruturas pode dar às pessoas uma falsa sensação de segurança e, desse modo, levar ao relaxamento das práticas de distanciamento social, de lavagem das mãos frequente com água e sabonete, de desinfecção de superfícies e outras medidas de prevenção”.

Ainda segundo a agência, cabines de desinfecção funcionam em hospitais e laboratórios de alta segurança devido a particularidades dos ambientes controlados. “Embora tenham esta característica comum, ambientes hospitalares e de laboratórios não são iguais e exigem regras e protocolos diferentes, uso de produtos e procedimentos seguros, práticas rígidas de higienização das mãos, corpo, roupas, salas e utensílios, além de adotarem equipamentos de proteção individual (EPIs) muito específicos, entre outras características”, explicou a agência.

Entre os riscos produzidos a saúde pelos saneantes estão lesões severas na pele e nas células, irritação nas vias respiratórias, bronquite ou problemas no pulmão (edema pulmonar), irritação nos olhos, reações alérgicas, entre outras consequências, inclusive o óbito.

“Deve-se esclarecer que, quando da aprovação de produtos saneantes desinfetantes, a Anvisa avalia sua aplicação em objetos e superfícies, mas não sua aplicação direta em pessoas. Dessa forma, não foram avaliadas a segurança e eficácia desses produtos nessa última situação. Portanto, não existe, atualmente, produto aprovado pela Anvisa para “desinfecção de pessoas”, destacou a nota.

A nota da Anvisa foi uma conclusão de estudos de documentos, estudos e artigos internacionais. Não foram encontrados pela agência recomendações do uso ou formas de uma possível eficácia das cabines na desinfecção.   

“A revisão incluiu informações de fontes como a Organização Mundial da Saúde (World Health Organization –OMS), a Agência de Medicamentos e Alimentos dos Estados Unidos (Food and Drug Administration –FDA), o Centro de Controle e Prevenção de Doenças/EUA (Centers for Disease Control and Prevention –CDC) e a Agência Europeia de Substâncias Químicas (European Chemicals Agency – ECHA)”, informou a agência.

A Prefeitura de São Lourenço foi procurada pelo São Lourenço Atual para comentar a eficácia das Cabines de Desinfecção locadas. Foi questionada sobre os produtos usados e quais foram os argumentos técnicos para a locação das cabines, mas até o fechamento dessa matéria não obteve resposta. Continuamos a disposição para esclarecimento através do Whatsapp e do e-mail [email protected].

Questionado pessoalmente sobre as cabines no final desta tarde, o Secretário Municipal de Saúde, Everton Andrade, disse "Eu não vivo para responder questionamentos. Na hora que der eu respondo", informou o gestor.

*Matéria atualizada às 17h 40min para acrescentar a resposta do secretário Municipal de Saúde. 

Créditos (Imagem de capa): As cabines de Biodescontaminação, não recomendadas pela Anvisa, foram instaladas em vários pontos da cidade/Foto: SL Atual

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