SÃO LOURENÇO ATUAL

Vereador Ricardo Mattos

Conversa sobre política, relação com o poder executivo e a expectativa para 2019
Vereador Ricardo Mattos
O vereador Ricardo de Mattos/Foto: SL Atual

Vereador Ricardo Mattos

O vereador Ricardo de Mattos (PMN) encerrará seu mandato de presidente da Câmara Municipal no próximo dia 31. Antes do recesso do legislativo, ele recebeu a reportagem do São Lourenço Atual para uma entrevista exclusiva. Durante a conversa falou sobre a política na cidade em 2018, a relação entre a Câmara Municipal e o poder executivo e as expectativas para o próximo ano, que segundo ele, também será de crise.

Sobre a relação entre os poderes executivo e legislativo, o vereador disse que faltou diálogo por parte do executivo e da prefeita, tratamento político adequado para os vereadores da oposição e destacou ainda a ausência de conversa com a própria prefeita Célia Cavalcanti.

Confira a entrevista.

São Lourenço Atual: Como o sr. avalia politicamente o ano de 2018 para São Lourenço?

Ricardo de Mattos: Esse foi um ano difícil. Por acidente, eu fui eleito presidente da Câmara e peguei uma Comissão Processante contra a prefeita em andamento e dentro da legalidade dei prosseguimento seguindo todos os passos. Esse entra e sai de prefeito trouxe um desgaste muito grande não só político, mas financeiro e moral para o nosso município. A cidade perde a confiança. Está se encerrando meu mandato como presidente e mais um ano de administração da prefeita e a justiça entendeu que ela deveria continuar no cargo. A gente torce para que São Lourenço comece a andar no rumo certo.

SL Atual: O Sr. foi tido como um presidente bastante rigoroso ao conduzir a Câmara e as sessões. Como o senhor avalia sua conduta enquanto presidente da casa durante este ano?

RM: Esta pergunta deveria ser feita aos vereadores e funcionários. No meu modo de ver fui um bom presidente porque fiz cumprir as leis, fiz pela Câmara o que outros vereadores presidentes não tiveram a oportunidade de fazer. Esse ano fiz devolução de dinheiro cerca de R$ 300 mil. Parte dessa devolução foi de imposto de renda retido e devolvido para a prefeitura, algo de R$ 18 mil a R$ 20 mil por mês. Esse dinheiro pode ser usado onde o poder executivo desejar. Em espécie devolvi R$ 65 mil e esse mês devolverei entre R$ 30 mil e R$ 40 mil a partir do dia 20 para investir na saúde. Devolvi dois carros no valor de R$ 100 mil. Fiz dentro da lei uma boa administração.

Completamos todos os gabinetes abertos, terminei a obra na sede com os aparelhos de ar condicionados funcionando. Investi em capacitação para os funcionários da Câmara com cursos sobre licitação, controle interno, em jornalismo e em tudo mais o que a Câmara precisava para ter um bom andamento. Essa era minha preocupação: capacitar os servidores e passar a Câmara enxuta para o próximo presidente, que muita pouca coisa precisará licitar. O próximo presidente terá um ano de administração muito tranquilo.

Cada um tem uma marca e cada um que passa deixa a sua. Essa marca de ditador não é que eu seja um ditador. Eu quero terminar meu mandato e vou terminar cumprindo a lei. Alguns vereadores extrapolavam o tempo [de fala na tribuna] e eu cumpria a lei independente de ser da minha base. O tratamento foi igual para todos eles.

SL Atual: Este foi um ano de bastante desgaste para o legislativo municipal. Houve atualização no valor das diárias, o que reajustou as mesmas, cassação da prefeita, duas derrotas no TJMG, compra de veículos novos, entre outros. Qual a sua avaliação dessas situações?

RM: Críticas existem e continuarão existindo. Se você faz, você é criticado. Se você não faz, você é criticado. Fiz sabendo que haveria crítica, mas fiz por que era o correto e necessário. Muitos criticaram dizendo que eu deveria devolver o dinheiro para ser investido na prefeitura. Desde que eu assumi a cadeira de presidente eu disse que não devolveria um só centavo para a prefeitura, pois o dinheiro é da Câmara e deve ser investido em melhorias. Com todas as melhorias que eu fiz algumas coisas ainda deveriam ter sido feitas. Muitas coisas com o novo presidente, e eu quero ter uma conversa com ele após as eleições, trarão economias para a Câmara Municipal. O fato de a reunião ser a noite traz um gasto anual de hora extra com R$ 150 mil e a passagem da reunião para tarde vai trazer economia.

Em relação as diárias, fizemos dentro da lei. Muita gente critica. Sugiro às pessoas que criticam que se candidatem a vereador, ganhem e venham ver o quanto se paga caro para estar vereador financeiramente e moralmente. Quem perde a eleição critica e quer se vingar, mas é incapaz de chegar e apresentar uma ideia que seja boa para a cidade. Gente que é do seu lado e amigo que ficou suplente. Não procuram saber o que o vereador trouxe de bom para a cidade.

SL Atual: Atualmente o poder executivo tem somente três vereadores ao lado dele. Como é ser um poder legislativo contrário ao poder executivo? Na sua opinião, o que levou essa quantidade de vereadores serem contrários politicamente a prefeita?

RM: São Lourenço tem 13 vereadores preocupados com o município. Nós não nos vemos como oposição à cidade de São Lourenço. Quando entra um projeto lei, é lógico que temos uma reunião antes e conversamos sobre ele. Se ele for bom para cidade, a gente analisa, discute antecipadamente e já vamos para a reunião ordinária decidido no que vamos votar. Cada um tem seu discurso. Não somos oposição ao município. Somos oposição a algum projeto que, após discutir e ouvir o jurídico, esse projeto não é bom, não é legal ou é inconstitucional aí tomamos essa decisão.

Entendo que quando o prefeito não tem a maioria na Câmara, deveria haver um elo entre o executivo e o legislativo em um todo para se discutir esse assunto. Esse ano não houve um representante do executivo que chegasse até os vereadores para discutir os assuntos. Houve em redes sociais a prefeita, a qual eu respeito muito, dizendo que a porta da prefeitura está aberta aos vereadores e eu respondi da mesma forma dizendo que a porta da Câmara está aberta à prefeita. Em momento algum não houve uma reunião entre poder executivo e legislativo para se chegar ao denominador comum. Fica a prefeita e os três vereadores dela trabalhando por São Lourenço na maneira dela e fica nós 10 trabalhando por São Lourenço na nossa maneira de pensar. Não existe lado A ou B. Se realmente houver uma preocupação com a melhoria do município, tem que ouvir todos. O que precisa é de uma aproximação maior da prefeita, e não da equipe dela, com os vereadores. Ela tem que ouvir os vereadores.

Ela precisa de um bom interlocutor que trate os vereadores com respeito, carinho, educação. Gostaria que houvesse um pouquinho mais de respeito com os 10 vereadores nossos e um interlocutor que aparasse essas arestas. Nós sugerimos que fossem reduzidos o número de cargos de confiança devido a calamidade financeira e nós fomos somente criticados. Falta um bom articulador. A Câmara está aberta para ela. Se houver conversa e diálogo mostrando os pontos negativos e positivo, todo mundo sempre tem uma boa ideia para trazer e quem ganha é a população.

SL Atual: Quais são suas expectativas para a política local em 2019?

RM: As melhores possíveis. Eu quero que Deus abençoe muito nossa prefeita e nossa Câmara para que ela consiga realizar ao menos o básico do que São Lourenço está precisando. Que ela olhe com carinho pelas ruas, capinas, aterro sanitário, limpeza. São várias coisas e quem está de fora não entende. Vejo com bons olhos, apesar da crise, e com muita esperança que começaremos um 2019 mais positivo. A gente tem que olhar positivo para não acabar com nossas esperanças.

SL Atual: Considerações finais

RM: Gostaria de deixar para nossa prefeita o meu abraço, o meu carinho e dizer a ela que, enquanto vereador e presidente em término de mandato, nunca tive nada pessoal contra ela. Para ela sempre meu respeito e carinho. A hora que quiser conversar estou à disposição, pois quero ser como sempre fui: preocupado em ajudar nossa cidade. Ela precisa ter muito cuidado com quem está do lado dela. Como foi dito por um vereador da base dela “deixe a prefeita trabalhar” eu fui na tribuna e disse que quem não deixa ela trabalhar é quem está do lado dela.

OUVIR NOTÍCIA

O vereador Ricardo de Mattos (PMN) encerrará seu mandato de presidente da Câmara Municipal no próximo dia 31. Antes do recesso do legislativo, ele recebeu a reportagem do São Lourenço Atual para uma entrevista exclusiva. Durante a conversa falou sobre a política na cidade em 2018, a relação entre a Câmara Municipal e o poder executivo e as expectativas para o próximo ano, que segundo ele, também será de crise.

Sobre a relação entre os poderes executivo e legislativo, o vereador disse que faltou diálogo por parte do executivo e da prefeita, tratamento político adequado para os vereadores da oposição e destacou ainda a ausência de conversa com a própria prefeita Célia Cavalcanti.

Confira a entrevista.

São Lourenço Atual: Como o sr. avalia politicamente o ano de 2018 para São Lourenço?

Ricardo de Mattos: Esse foi um ano difícil. Por acidente, eu fui eleito presidente da Câmara e peguei uma Comissão Processante contra a prefeita em andamento e dentro da legalidade dei prosseguimento seguindo todos os passos. Esse entra e sai de prefeito trouxe um desgaste muito grande não só político, mas financeiro e moral para o nosso município. A cidade perde a confiança. Está se encerrando meu mandato como presidente e mais um ano de administração da prefeita e a justiça entendeu que ela deveria continuar no cargo. A gente torce para que São Lourenço comece a andar no rumo certo.

SL Atual: O Sr. foi tido como um presidente bastante rigoroso ao conduzir a Câmara e as sessões. Como o senhor avalia sua conduta enquanto presidente da casa durante este ano?

RM: Esta pergunta deveria ser feita aos vereadores e funcionários. No meu modo de ver fui um bom presidente porque fiz cumprir as leis, fiz pela Câmara o que outros vereadores presidentes não tiveram a oportunidade de fazer. Esse ano fiz devolução de dinheiro cerca de R$ 300 mil. Parte dessa devolução foi de imposto de renda retido e devolvido para a prefeitura, algo de R$ 18 mil a R$ 20 mil por mês. Esse dinheiro pode ser usado onde o poder executivo desejar. Em espécie devolvi R$ 65 mil e esse mês devolverei entre R$ 30 mil e R$ 40 mil a partir do dia 20 para investir na saúde. Devolvi dois carros no valor de R$ 100 mil. Fiz dentro da lei uma boa administração.

Completamos todos os gabinetes abertos, terminei a obra na sede com os aparelhos de ar condicionados funcionando. Investi em capacitação para os funcionários da Câmara com cursos sobre licitação, controle interno, em jornalismo e em tudo mais o que a Câmara precisava para ter um bom andamento. Essa era minha preocupação: capacitar os servidores e passar a Câmara enxuta para o próximo presidente, que muita pouca coisa precisará licitar. O próximo presidente terá um ano de administração muito tranquilo.

Cada um tem uma marca e cada um que passa deixa a sua. Essa marca de ditador não é que eu seja um ditador. Eu quero terminar meu mandato e vou terminar cumprindo a lei. Alguns vereadores extrapolavam o tempo [de fala na tribuna] e eu cumpria a lei independente de ser da minha base. O tratamento foi igual para todos eles.

SL Atual: Este foi um ano de bastante desgaste para o legislativo municipal. Houve atualização no valor das diárias, o que reajustou as mesmas, cassação da prefeita, duas derrotas no TJMG, compra de veículos novos, entre outros. Qual a sua avaliação dessas situações?

RM: Críticas existem e continuarão existindo. Se você faz, você é criticado. Se você não faz, você é criticado. Fiz sabendo que haveria crítica, mas fiz por que era o correto e necessário. Muitos criticaram dizendo que eu deveria devolver o dinheiro para ser investido na prefeitura. Desde que eu assumi a cadeira de presidente eu disse que não devolveria um só centavo para a prefeitura, pois o dinheiro é da Câmara e deve ser investido em melhorias. Com todas as melhorias que eu fiz algumas coisas ainda deveriam ter sido feitas. Muitas coisas com o novo presidente, e eu quero ter uma conversa com ele após as eleições, trarão economias para a Câmara Municipal. O fato de a reunião ser a noite traz um gasto anual de hora extra com R$ 150 mil e a passagem da reunião para tarde vai trazer economia.

Em relação as diárias, fizemos dentro da lei. Muita gente critica. Sugiro às pessoas que criticam que se candidatem a vereador, ganhem e venham ver o quanto se paga caro para estar vereador financeiramente e moralmente. Quem perde a eleição critica e quer se vingar, mas é incapaz de chegar e apresentar uma ideia que seja boa para a cidade. Gente que é do seu lado e amigo que ficou suplente. Não procuram saber o que o vereador trouxe de bom para a cidade.

SL Atual: Atualmente o poder executivo tem somente três vereadores ao lado dele. Como é ser um poder legislativo contrário ao poder executivo? Na sua opinião, o que levou essa quantidade de vereadores serem contrários politicamente a prefeita?

RM: São Lourenço tem 13 vereadores preocupados com o município. Nós não nos vemos como oposição à cidade de São Lourenço. Quando entra um projeto lei, é lógico que temos uma reunião antes e conversamos sobre ele. Se ele for bom para cidade, a gente analisa, discute antecipadamente e já vamos para a reunião ordinária decidido no que vamos votar. Cada um tem seu discurso. Não somos oposição ao município. Somos oposição a algum projeto que, após discutir e ouvir o jurídico, esse projeto não é bom, não é legal ou é inconstitucional aí tomamos essa decisão.

Entendo que quando o prefeito não tem a maioria na Câmara, deveria haver um elo entre o executivo e o legislativo em um todo para se discutir esse assunto. Esse ano não houve um representante do executivo que chegasse até os vereadores para discutir os assuntos. Houve em redes sociais a prefeita, a qual eu respeito muito, dizendo que a porta da prefeitura está aberta aos vereadores e eu respondi da mesma forma dizendo que a porta da Câmara está aberta à prefeita. Em momento algum não houve uma reunião entre poder executivo e legislativo para se chegar ao denominador comum. Fica a prefeita e os três vereadores dela trabalhando por São Lourenço na maneira dela e fica nós 10 trabalhando por São Lourenço na nossa maneira de pensar. Não existe lado A ou B. Se realmente houver uma preocupação com a melhoria do município, tem que ouvir todos. O que precisa é de uma aproximação maior da prefeita, e não da equipe dela, com os vereadores. Ela tem que ouvir os vereadores.

Ela precisa de um bom interlocutor que trate os vereadores com respeito, carinho, educação. Gostaria que houvesse um pouquinho mais de respeito com os 10 vereadores nossos e um interlocutor que aparasse essas arestas. Nós sugerimos que fossem reduzidos o número de cargos de confiança devido a calamidade financeira e nós fomos somente criticados. Falta um bom articulador. A Câmara está aberta para ela. Se houver conversa e diálogo mostrando os pontos negativos e positivo, todo mundo sempre tem uma boa ideia para trazer e quem ganha é a população.

SL Atual: Quais são suas expectativas para a política local em 2019?

RM: As melhores possíveis. Eu quero que Deus abençoe muito nossa prefeita e nossa Câmara para que ela consiga realizar ao menos o básico do que São Lourenço está precisando. Que ela olhe com carinho pelas ruas, capinas, aterro sanitário, limpeza. São várias coisas e quem está de fora não entende. Vejo com bons olhos, apesar da crise, e com muita esperança que começaremos um 2019 mais positivo. A gente tem que olhar positivo para não acabar com nossas esperanças.

SL Atual: Considerações finais

RM: Gostaria de deixar para nossa prefeita o meu abraço, o meu carinho e dizer a ela que, enquanto vereador e presidente em término de mandato, nunca tive nada pessoal contra ela. Para ela sempre meu respeito e carinho. A hora que quiser conversar estou à disposição, pois quero ser como sempre fui: preocupado em ajudar nossa cidade. Ela precisa ter muito cuidado com quem está do lado dela. Como foi dito por um vereador da base dela “deixe a prefeita trabalhar” eu fui na tribuna e disse que quem não deixa ela trabalhar é quem está do lado dela.

Comentários

Quer mais artigos e as newsletters editoriais no seu e-mail?

Receba as notícias do dia e os alertas de última hora.
[CARREGANDO...]

Confira mais Notícias

Cidade
Idosos e profissionais da saúde poderão ser vacinados contra a gripe nesta quarta, 8
Idosos e profissionais da saúde poderão ser vacinados contra a gripe nesta quarta, 8
VISUALIZAR
Política
Câmara repassa R$25 mil à Prefeitura e irá votar a devolução antecipada de mais R$100 mil
Câmara repassa R$25 mil à Prefeitura e irá votar a devolução antecipada de mais R$100 mil
VISUALIZAR
Geral
Governo de Minas faz pagamento integral de salários de servidores da Saúde e Segurança
Governo de Minas faz pagamento integral de salários de servidores da Saúde e Segurança
VISUALIZAR
Política
Concessão de uso da Ilha Antônio Dutra para construção de centro esportivo é aprovada
Concessão de uso da Ilha Antônio Dutra para construção de centro esportivo é aprovada
VISUALIZAR
Cidade
Vacinação contra a gripe acontece nesta sexta para idosos e profissionais da saúde
Vacinação contra a gripe acontece nesta sexta para idosos e profissionais da saúde
VISUALIZAR
Geral
Romeu Zema apresenta resultados positivos das ações de enfrentamento ao coronavírus
Romeu Zema apresenta resultados positivos das ações de enfrentamento ao coronavírus
VISUALIZAR
Fale com a redação!

Deixe sua mensagem para a redação ;)