SÃO LOURENÇO ATUAL

As “Periquitas” sem o “Periquito”

E o susto das camareiras

Depois de excursionarmos pela região central mineira e descermos pelas cidades de Timóteo, Ipatinga e Caratinga, visando tomar a rodovia BR- 116 (Rio-Bahia) que nos levaria de volta ao Rio, no trajeto entre Ipatinga e Caratinga, visualizarmos uma placa indicativa onde se lia “Entre folhas, Bom Jesus do Galho e Parque Florestal do Rio Doce”. Curiosos e curtidores de nomes “sui generis” de cidades, resolvemos dar uma olhadela antes de chegarmos a Caratinga. De fato valeu a pena desviarmos da rota e permanecermos dois dias na cidade de Bom Jesus do Galho, nos hospedando num hotelzinho de aspecto bem razoável de boas acomodações excelente passadio.

Na primeira noite após o jantar, apreciávamos TV na sala de estar, quando adentrou ao hotel um casal não muito jovem, talvez na casa dos 35 anos, solicitando hospedagem, afinal segundo soubemos, eram recém-casados e tencionavam ali passar a sua não menos esperada lua de mel, procedentes da localidade mineira de Periquito, um pouco acima de Sobrália.

O hoteleiro mostrando-se feliz em tê-los, foram só amabilidades e gentilezas, inclusive mandou preparar, já fora do horário, um jantar requintado a luz de velas e champanhe aos “enamorados pombinhos”.

A extremada cortesia continuou pelo dia seguinte a cada momento que os “nubentes” eram vistos fora do ninho. O casal a cada presença ao refeitório, principalmente, era o exemplo de romantismo e chamego tal o número de carícias e amasso trocados. O marido extremamente solícito era só simpatia personalizada mesmo dotado de grossos “bigodes” e de uma “barba” um pouco grisalha que lhe dava ares de seriedade e respeito.

Na manhã da nossa partida após um farto café matinal, retornamos ao quarto visando apanhar nossos pertences, quando escutamos um vozerio forte no corredor. Ao sairmos do aposento, um tanto preocupados, deparamos com as duas arrumadeiras já descendo a escada pronunciando palavras quase indecifráveis sobre algo que causara certa perplexidade como: “desconjuro”, “cruz credo”, “isso é muita safadeza”, “uma aberração”, entre outras não lembradas... Ao atingirmos a portaria, o blábláblá estava formado com o hoteleiro descrente, sua mulher estarrecida, as arrumadeiras indignadas e assustadas e alguns hóspedes, que entre perplexidade e risos tentavam concatenar suas cabeças “fundidas”.

Motivo: As serviçais ao penetrarem no quarto do “casal de Pombinhos” no intuito de arrumar e higienizar o aposento, não imaginava que ainda os encontrariam e muito menos dormindo. Espantadas e sobressaltadas ficaram, ao deparar com o “casal” nu na cama. Só que foram surpreendidas por não tratar-se de um casal mais sim duas MULHERES...

Ah... Essas “turistas lesbianas” cujo “periquito” só existe mesmo no seu local de origem e na “gaiola ingênua” da cidade de Bom Jesus do Galho que as acolheu, mas que infelizmente caíram do “galho” deixando Bom Jesus de fato boquiaberto diante daqueles “bigodes e barbas”, já que obviamente começou a se espalhar o fato, antes que a revoada dos “Pombinhos” acontecesse.

Por tanto, Entre Folhas, Galhos de um Parque Florestal de Rio Doce, as “periquitas” enrustidas amargaram o dessabor de terem as intimidades reveladas.
Mesmo assim não podemos negar que sem dúvida aquela revelação de privacidade, talvez ora segredada, nos trouxesse instantes altamente pitorescos, mesmo ocorrido há 12 anos , em que o preconceito e a homofobia eram procedimentos comuns ainda mais às cidades interioranas.

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As “Periquitas” sem o “Periquito”

Depois de excursionarmos pela região central mineira e descermos pelas cidades de Timóteo, Ipatinga e Caratinga, visando tomar a rodovia BR- 116 (Rio-Bahia) que nos levaria de volta ao Rio, no trajeto entre Ipatinga e Caratinga, visualizarmos uma placa indicativa onde se lia “Entre folhas, Bom Jesus do Galho e Parque Florestal do Rio Doce”. Curiosos e curtidores de nomes “sui generis” de cidades, resolvemos dar uma olhadela antes de chegarmos a Caratinga. De fato valeu a pena desviarmos da rota e permanecermos dois dias na cidade de Bom Jesus do Galho, nos hospedando num hotelzinho de aspecto bem razoável de boas acomodações excelente passadio.

Na primeira noite após o jantar, apreciávamos TV na sala de estar, quando adentrou ao hotel um casal não muito jovem, talvez na casa dos 35 anos, solicitando hospedagem, afinal segundo soubemos, eram recém-casados e tencionavam ali passar a sua não menos esperada lua de mel, procedentes da localidade mineira de Periquito, um pouco acima de Sobrália.

O hoteleiro mostrando-se feliz em tê-los, foram só amabilidades e gentilezas, inclusive mandou preparar, já fora do horário, um jantar requintado a luz de velas e champanhe aos “enamorados pombinhos”.

A extremada cortesia continuou pelo dia seguinte a cada momento que os “nubentes” eram vistos fora do ninho. O casal a cada presença ao refeitório, principalmente, era o exemplo de romantismo e chamego tal o número de carícias e amasso trocados. O marido extremamente solícito era só simpatia personalizada mesmo dotado de grossos “bigodes” e de uma “barba” um pouco grisalha que lhe dava ares de seriedade e respeito.

Na manhã da nossa partida após um farto café matinal, retornamos ao quarto visando apanhar nossos pertences, quando escutamos um vozerio forte no corredor. Ao sairmos do aposento, um tanto preocupados, deparamos com as duas arrumadeiras já descendo a escada pronunciando palavras quase indecifráveis sobre algo que causara certa perplexidade como: “desconjuro”, “cruz credo”, “isso é muita safadeza”, “uma aberração”, entre outras não lembradas... Ao atingirmos a portaria, o blábláblá estava formado com o hoteleiro descrente, sua mulher estarrecida, as arrumadeiras indignadas e assustadas e alguns hóspedes, que entre perplexidade e risos tentavam concatenar suas cabeças “fundidas”.

Motivo: As serviçais ao penetrarem no quarto do “casal de Pombinhos” no intuito de arrumar e higienizar o aposento, não imaginava que ainda os encontrariam e muito menos dormindo. Espantadas e sobressaltadas ficaram, ao deparar com o “casal” nu na cama. Só que foram surpreendidas por não tratar-se de um casal mais sim duas MULHERES...

Ah... Essas “turistas lesbianas” cujo “periquito” só existe mesmo no seu local de origem e na “gaiola ingênua” da cidade de Bom Jesus do Galho que as acolheu, mas que infelizmente caíram do “galho” deixando Bom Jesus de fato boquiaberto diante daqueles “bigodes e barbas”, já que obviamente começou a se espalhar o fato, antes que a revoada dos “Pombinhos” acontecesse.

Por tanto, Entre Folhas, Galhos de um Parque Florestal de Rio Doce, as “periquitas” enrustidas amargaram o dessabor de terem as intimidades reveladas.
Mesmo assim não podemos negar que sem dúvida aquela revelação de privacidade, talvez ora segredada, nos trouxesse instantes altamente pitorescos, mesmo ocorrido há 12 anos , em que o preconceito e a homofobia eram procedimentos comuns ainda mais às cidades interioranas.

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