SÃO LOURENÇO ATUAL

Bacalhau bem apimentado!

De onde vinha o cheiro?

Lá ia o expresso campista rumo ao norte fluminense, sob um calor causticante, quando uma mulher ergue-se da sua poltrona indo à direção do toalete. Passado alguns minutos, deixou o local retornando. Mas no que se sentou, premeu as narinas meneando a cabeça sob uma fisionomia um tanto aborrecida e vê Evandro, o chefe do trem, adentrar ao vagão, a executar sua inspeção rotineira e o acena solicitando sua presença. Ao chegar à mulher, antes mesmo de indagar o que desejava, a indignada criatura o pergunta se haveria à possibilidade em trocar de vagão, já que o carro mantinha-se lotado e ela não estava mais aguentando permanecer ali; inclusive tendo por três vezes se ocupado do toalete, provocado pelo nauseante odor insuportável exalado, a ponto de atribuir até a ela própria o cheiro, obrigando-a verificar se tal coisa não estava acontecendo.

Evandro na sua presteza, mantendo-se compenetrado mesmo diante da jocosidade ouvida, a respondeu que verificaria na possibilidade, mas que observasse melhor esse incômodo, pois lugares à primeira classe seriam difíceis e na segunda os assentos não seriam estofados, mas sim de madeira. No que a injuriada mulher disse não ter importância, pois desde que se livrasse da porcalhona seria ótimo. Nisso a mulher que ocupava ao seu lado a janela no par de poltronas, que obviamente ouvia aquele diálogo, se insurgiu perguntando se por acaso estava se referindo a ela, a chamá-la de porcalhona. Virando-se de imediato, a injuriada fazendo-se de surpreendida, retrucou com certa agressividade, dizendo que desconfiava sim, pois se quer reclamou do cheiro desagradável, já que o odor era bem característico de falta de asseio íntimo e que só melhorava quando ia ao toalete.

Indignada pela ofensa ouvida, a mulher irada diante da acusação, esbravejando, diz que porca era ela ao dizer que até desconfiou dela mesma dirigindo-se ao toalete, não tendo certeza de sua higiene. Possessa pela desfaçatez da vizinha ao tocar na sua sensibilidade e ofendê-la, atribuindo ser uma mulher imunda, revoltada tentou agredi-la, no que foi contida por Evandro, a obrigar as duas a se acalmarem. A quase agredida, ajeitando seu cabelo, apanhou ao chão seu embrulho que caíra no “arranca rabo”, colocando-o ao seu lado, quando a inconformada franzindo o nariz a premer as narinas, fala a Evandro: - O senhor sentiu o cheiro agora, no instante em que a porcalhona ao se abaixar abriu as pernas para pegar o embrulho?

Evandro, dando de ombro, meneou a cabeça afirmativamente. Não havia como discordar. A mulher não se conformando com os dois retrucou: - Ora bolas, este odor é do meu bacalhau! Será que não reconhecem?

A outra aproveitando a “deixa”, de forma irônica treplica: Só se a sua tem apelido de bacalhau!

Sem que esperasse, a dita porcalhona vira o braço na vizinha, formando o furdunço, onde Evandro e alguns passageiros a muito custo conseguiram contornar o problema, embora o cheiro ainda mantivesse presente, com as “contendoras” a trocarem insultos a se digladiarem pelas palavras a deixar o pobre Evandro entre a cruz e a espada.

Por fim a dona do bacalhau “malcheiroso” levanta-se a deixar o local, solicitando a Evandro que retirasse sua mala do bagageiro e apanhasse o embrulho do pescado sobre o assento, pois iria para a segunda classe. Mais tranqüilo, o chefe cumpre a solicitação, dizendo que o bacalhau ficaria sob sua guarda e o procurasse à plataforma quando deixasse o trem no seu destino. Com a concordância da mulher, e desculpando-se da outra que permaneceu no lugar, lá se foram os dois; Evandro conduzindo a mala e o bacalhau, e a mulher cujo odor foi o motivo do furdunço. Só que, antes de seguir à segunda classe, Evandro pede a mulher que ficou, a abrir o vidro da janela no intuito de arejar o local. Virando-se a ele, sarcasticamente fala: - Não há necessidade, pois a dona do bacalhau fedorento já se foi. Ainda bem que a outra não ouviu, pois se não a bacalhoada além de apimentada seria bem salgada!

 

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Bacalhau bem apimentado!

Lá ia o expresso campista rumo ao norte fluminense, sob um calor causticante, quando uma mulher ergue-se da sua poltrona indo à direção do toalete. Passado alguns minutos, deixou o local retornando. Mas no que se sentou, premeu as narinas meneando a cabeça sob uma fisionomia um tanto aborrecida e vê Evandro, o chefe do trem, adentrar ao vagão, a executar sua inspeção rotineira e o acena solicitando sua presença. Ao chegar à mulher, antes mesmo de indagar o que desejava, a indignada criatura o pergunta se haveria à possibilidade em trocar de vagão, já que o carro mantinha-se lotado e ela não estava mais aguentando permanecer ali; inclusive tendo por três vezes se ocupado do toalete, provocado pelo nauseante odor insuportável exalado, a ponto de atribuir até a ela própria o cheiro, obrigando-a verificar se tal coisa não estava acontecendo.

Evandro na sua presteza, mantendo-se compenetrado mesmo diante da jocosidade ouvida, a respondeu que verificaria na possibilidade, mas que observasse melhor esse incômodo, pois lugares à primeira classe seriam difíceis e na segunda os assentos não seriam estofados, mas sim de madeira. No que a injuriada mulher disse não ter importância, pois desde que se livrasse da porcalhona seria ótimo. Nisso a mulher que ocupava ao seu lado a janela no par de poltronas, que obviamente ouvia aquele diálogo, se insurgiu perguntando se por acaso estava se referindo a ela, a chamá-la de porcalhona. Virando-se de imediato, a injuriada fazendo-se de surpreendida, retrucou com certa agressividade, dizendo que desconfiava sim, pois se quer reclamou do cheiro desagradável, já que o odor era bem característico de falta de asseio íntimo e que só melhorava quando ia ao toalete.

Indignada pela ofensa ouvida, a mulher irada diante da acusação, esbravejando, diz que porca era ela ao dizer que até desconfiou dela mesma dirigindo-se ao toalete, não tendo certeza de sua higiene. Possessa pela desfaçatez da vizinha ao tocar na sua sensibilidade e ofendê-la, atribuindo ser uma mulher imunda, revoltada tentou agredi-la, no que foi contida por Evandro, a obrigar as duas a se acalmarem. A quase agredida, ajeitando seu cabelo, apanhou ao chão seu embrulho que caíra no “arranca rabo”, colocando-o ao seu lado, quando a inconformada franzindo o nariz a premer as narinas, fala a Evandro: - O senhor sentiu o cheiro agora, no instante em que a porcalhona ao se abaixar abriu as pernas para pegar o embrulho?

Evandro, dando de ombro, meneou a cabeça afirmativamente. Não havia como discordar. A mulher não se conformando com os dois retrucou: - Ora bolas, este odor é do meu bacalhau! Será que não reconhecem?

A outra aproveitando a “deixa”, de forma irônica treplica: Só se a sua tem apelido de bacalhau!

Sem que esperasse, a dita porcalhona vira o braço na vizinha, formando o furdunço, onde Evandro e alguns passageiros a muito custo conseguiram contornar o problema, embora o cheiro ainda mantivesse presente, com as “contendoras” a trocarem insultos a se digladiarem pelas palavras a deixar o pobre Evandro entre a cruz e a espada.

Por fim a dona do bacalhau “malcheiroso” levanta-se a deixar o local, solicitando a Evandro que retirasse sua mala do bagageiro e apanhasse o embrulho do pescado sobre o assento, pois iria para a segunda classe. Mais tranqüilo, o chefe cumpre a solicitação, dizendo que o bacalhau ficaria sob sua guarda e o procurasse à plataforma quando deixasse o trem no seu destino. Com a concordância da mulher, e desculpando-se da outra que permaneceu no lugar, lá se foram os dois; Evandro conduzindo a mala e o bacalhau, e a mulher cujo odor foi o motivo do furdunço. Só que, antes de seguir à segunda classe, Evandro pede a mulher que ficou, a abrir o vidro da janela no intuito de arejar o local. Virando-se a ele, sarcasticamente fala: - Não há necessidade, pois a dona do bacalhau fedorento já se foi. Ainda bem que a outra não ouviu, pois se não a bacalhoada além de apimentada seria bem salgada!

 

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