SÃO LOURENÇO ATUAL

Há uma grande distância entre o discurso e a prática

O eleitor brasileiro "gosta de ser enganado"

O ex-ministro da Ciência e Tecnologia do Michel Temer, ex-prefeito de São Paulo e presidente do PSD, Gilberto Kassab, disse, logo após o encontro com o presidente Jair Bolsonaro com vários líderes de partidos ditos independentes para tentar conquistar novas legendas para maioria do governo no Congresso, a seguinte frase: "Na vida pública, aqueles que levarem em consideração o que disseram na campanha acabam ficando sozinhos.” Ouvindo isso de um político atuante e experiente, dá para se tirar algumas conclusões. Pela minha experiência, posso afirmar que muitos prometem nas campanhas eleitorais o que não podem cumprir, mas que os eleitores gostam de ouvir, porque sabem que depois de eleitos não precisarão se preocupar com o que foi dito na campanha. Aqueles que se apegarem ao discurso de campanha, conforme disse Kassab, ficarão sem ter como explicar a distância entre o discurso e a prática. Na verdade, os mais espertos sabem que o eleitor "gosta de ser enganado".

Já participei de quase uma dezena de campanhas eleitorais municipais e de tantas outras estaduais e nacionais. Em todas elas, a grande maioria dos candidatos que não prometeu, não se elegeu. Posso citar um exemplo concreto, do qual sou testemunha ocular. Na campanha de 2004, percorri os bairros de São Lourenço e visitei várias famílias, com o então candidato Zé Neto. Ambos fomos muito claros e sinceros sobre a realidade municipal, especialmente no que dizia respeito à Câmara Municipal e à prefeitura. Perdemos para aqueles que sabíamos que estavam prometendo o que não iriam cumprir. Nas eleições seguintes o Zé Neto "adequou" o discurso e foi bem sucedido. Eu não. Continuei mantendo a mesma linha. O resultado todos conhecem.

O fato é que a política só vai mudar quando o eleitor mudar. Por enquanto, os políticos continuam sendo o retrato dos eleitores. Além do mais, enquanto existir lado, como se fosse torcida de futebol, também não haverá mudança. Enquanto o poder político e o poder econômico predominarem, idem. O eleitor brasileiro precisa ser mais consciente e mudar sua postura, para poder cobrar com legitimidade os que forem eleitos.

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Há uma grande distância entre o discurso e a prática

O ex-ministro da Ciência e Tecnologia do Michel Temer, ex-prefeito de São Paulo e presidente do PSD, Gilberto Kassab, disse, logo após o encontro com o presidente Jair Bolsonaro com vários líderes de partidos ditos independentes para tentar conquistar novas legendas para maioria do governo no Congresso, a seguinte frase: "Na vida pública, aqueles que levarem em consideração o que disseram na campanha acabam ficando sozinhos.” Ouvindo isso de um político atuante e experiente, dá para se tirar algumas conclusões. Pela minha experiência, posso afirmar que muitos prometem nas campanhas eleitorais o que não podem cumprir, mas que os eleitores gostam de ouvir, porque sabem que depois de eleitos não precisarão se preocupar com o que foi dito na campanha. Aqueles que se apegarem ao discurso de campanha, conforme disse Kassab, ficarão sem ter como explicar a distância entre o discurso e a prática. Na verdade, os mais espertos sabem que o eleitor "gosta de ser enganado".

Já participei de quase uma dezena de campanhas eleitorais municipais e de tantas outras estaduais e nacionais. Em todas elas, a grande maioria dos candidatos que não prometeu, não se elegeu. Posso citar um exemplo concreto, do qual sou testemunha ocular. Na campanha de 2004, percorri os bairros de São Lourenço e visitei várias famílias, com o então candidato Zé Neto. Ambos fomos muito claros e sinceros sobre a realidade municipal, especialmente no que dizia respeito à Câmara Municipal e à prefeitura. Perdemos para aqueles que sabíamos que estavam prometendo o que não iriam cumprir. Nas eleições seguintes o Zé Neto "adequou" o discurso e foi bem sucedido. Eu não. Continuei mantendo a mesma linha. O resultado todos conhecem.

O fato é que a política só vai mudar quando o eleitor mudar. Por enquanto, os políticos continuam sendo o retrato dos eleitores. Além do mais, enquanto existir lado, como se fosse torcida de futebol, também não haverá mudança. Enquanto o poder político e o poder econômico predominarem, idem. O eleitor brasileiro precisa ser mais consciente e mudar sua postura, para poder cobrar com legitimidade os que forem eleitos.

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