SÃO LOURENÇO ATUAL

Um conto do “Vigário”

Um conto do “Vigário”

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Após uma curtição à cidade de Vitória,ES, levantamos acampamento rumo à famosa Cachoeiro do Itapemirim onde permanecemos por dois dias e seguimos pela BR-482 com destino a Carangola, MG, objetivando a BR-116 (Rio- Bahia). Todavia, com pouco mais de 100 Km percorrido, visualizamos um trevo rodoviário em que se lia numa placa sinalizadora a cidade de Espera Feliz já em Minas Gerais.

Levados pela curiosidade, resolvemos conhecê-la. Dado o encanto da localidade, acabamos por ali ficar, nos hospedando num pequeno, porém agradável hotel, cuja frequência naquela oportunidade era bem escassa.

Instalados e desfrutando do acolhedor e aprazível lugarejo, àquela tarde magnífica de outono, ao retornarmos ao hotel, nos dirigimos à sala de estar com a finalidade de descansar as pernas. Nisso, um casal visivelmente enamorado penetra no recinto, abraçados, e, acomoda-se à poltrona a um canto da sala. Embora não quiséssemos observá-los, não pudemos deixar de fazer, pela forma intensa com que os pombinhos trocavam carícias entre ruidosos beijos e amasso mesmos desajeitados. Não querendo dar uma de “empata”, optamos por deixa-los à vontade e nos encaminhamos aos nossos aposentos.

A noite saímos para jantar e, no restaurante escolhido, lá estava o casal romântico a um canto, degustando a sua refeição regada a um vinho “Casal Garcia” entre beijinhos às mãos e carinhos nos rostos sob intensa paixão a demonstrar que o AMOR é lindo!

Na manhã seguinte no refeitório a desfrutar das saborosas guloseimas mineiras no nutritivo “breakfast”, quando três senhoras quarentonas se chegam ao recinto sentando à mesa próxima a nós. Minutos após o cidadão do “casal in love”, sozinho, ocupa-se da mesa junto a janela ficando, sem trocadilho, na “Espera Feliz” da amada.

De repente as quarentonas surpresas se erguem da mesa indo em direção do solitário apaixonado de maneira espalhafatosa, mais parecendo pelo estardalhaço, que já o conhecessem tais as amabilidades despendidas, pelo possível reencontro inesperado. Quando uma delas diz: - Que surpresa maravilhosa Padre Otávio! O retiro de que falou era aqui em Espera Feliz?

E beijando as mãos do vigário ficaram a paparicá-lo. Nisso a “namorada do padre” entra no refeitório e se espantada com as mulheres ao redor do seu amado, que àquele exato momento lhes beijam as mãos contritamente, a chega-se à mesa mostrando-se bastante injuriada e óbvia enciumada, senta-se e pergunta ao amado:- Que história é essa Otávio? O que essas mulheres foguentas querem de você?

Sem nada dizer, perplexo, padre Otávio benzeu-se balbuciando algo parecido com: - Perdoe-me Senhor pela “Espera Infeliz “, e, um tanto desorientado, deixa o local onde sobre o murmurinho das “beatas” se fazia de indignação pelo que presenciavam.

Moral da história: A retidão de padre Otávio derrapou numa curva, onde como um fiel confessor e orientador da família em sua cidadezinha a mais de 500 km, pelo destino, foi descoberto e cuja penitência a lhe ser conferida, talvez não possa ocorrer!

Ah... esses turistas incógnitos são de fato uns azarados e nos proporcionam momentos bastantes pitorescos ao verem-se diante de situações bem complicadas.

 

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