SÃO LOURENÇO ATUAL

Violência, sucumbida pela razão. Sonho?

Os coronéis e o padre pacificador

Após assistir o noticioso na TV, em que entre reportagens a violência vem campeando de forma crescente, passando a ser destaque diário, ao desligar o aparelho, me pus a pensar o que será de nós a mercê desta degradante situação, onde estamos passando a refém de facínoras, bandidos e toda espécie de marginais no nosso cotidiano.

Procurando esquecer a TV, reportei-me ao saudoso amigo, Monsenhor Barbosa, cujo cabedal de histórias contadas, uma delas vêm de encontro ao momento atual, onde pela sua religiosidade, conseguiu demover um cidadão de praticar uma barbárie. Dizia padre Barbosa, que numa oportunidade quando no expresso das 6 horas com destino a Parapeuna, RJ, onde celebraria dois batizados numa fazenda limítrofe a Rio Preto, MG, algo o perturbou e, porque não, o assustou diante da cena ocorrida no interior do vagão, a qual o levou a se envolver por ser um padre.

Ao ocupar o assento, ao seu lado estava um cidadão, típico daqueles sisudos “coronéis” latifundiários, calados de poucas conversas, que esparramado à poltrona, limitou-se a manter o semblante fechado, mesmo cumprimentado por padre Barbosa. Seguia a viagem, quando o tal homem ergueu-se e pôs-se a fuçar sua mala no bagageiro. Nisso, Barbosa ao olhá-lo, observa sob seu paletó de linho, preso ao cinto, um coldre a mostrar luzente revolver. Sentando-se, tendo à mão uma caixa, abriu e passou a retirar cartuchos, e logo em seguida, desatou o coldre sacando a arma, se pondo a carregá-la. Sob olhar de perplexidade, Barbosa observa que a cada projétil colocado no tambor, vinha seguido por beijos, como se fosse uma lubrificação a facilitar à trajetória no cano. Concluída toda misancene, de súbito o cidadão virando-se a Barbosa profere: - Padre poderia me abençoar? E logo a seguir pediu também que abençoasse seu revolver com água benta, pois precisaria de muita proteção na incursão que iria enfrentar em Parapeuna. Padre Barbosa que já se mantinha perplexo perante aquela chocante apresentação pública, mais chocado ficou, pelo petulante e ignóbil pedido, a ponto de tirá-lo da sua passividade religiosa, perguntando o porquê desta agressividade, a solicitar este tipo de proteção. Confidenciando o motivo, o qual dizia ser uma confissão e, portanto, um segredo inviolável, segredando-lhe ao ouvido, pôs-se a confessar – (Esclareço que esta confissão não foi considerada por padre Barbosa, portanto, contou-me sem ser uma violação).

Disse o homem, que um fazendeiro estava lhe devendo há dois meses, pela aquisição de 120 cabeças de gados, uma boa quantia e esquivava-se em saldá-la. Inclusive deixou recado a um peão meu, que se fosse procurá-lo o receberia à bala. Daí então resolveu enfrentá-lo. Barbosa ouvindo aquela absurdez, retornando a sua abalada serenidade, já tomando ciência que o algoz do destemido e violento “coronel”, era nada mais nada menos que o fazendeiro da fazenda onde seriam realizados os batizados, resolveu interceder na animosidade, que o entregasse a arma, pois rogaria a Deus que haveria uma solução e a violência seria banida, pela razão e o bom senso entre os homens. Mesmo um tanto resistente, entregou-lhe o revolver. Solicitando a orar, fizeram as orações e ai sim recebeu a benção desejada com água benta sendo aspergida.

Na fazenda, apresentado como seu “amigo” até então, os dois temíveis coronéis à presença de Padre Barbosa, se entenderam, com parte da divida quitada e o caladão “coronel”, convidado a assistir a cerimônia de batismo dos netos do ex-algoz, inclusive com a presença no almoço.

Já de volta, embarcados no expresso da tarde, padre Barbosa é pego de surpresa, com o pedido do “coronel” em visitar sua fazenda às proximidades de Valença, pois com a parte do dinheiro recebido, daria início à construção de uma orada na propriedade, cujo padroeiro seria São João Batista e ele, Padre Barbosa, colocaria a pedra fundamental e seria o vigário permanente, tendo a missão de realizar seus ritos sacerdotais e pastorais juntos aos seus fiéis, não só da fazenda como às cercanias.

E assim, Padre Barbosa teve seu sonho realizado, ou seja, ter sua igreja a cuidar. Por intercessão de São João Batista, que pelas orações de Barbosa, fez daquela pacificação entre dois “temidos” coronéis na realização do seu sonho; ou seja, ter sua igreja, Capela de São João Batista, após ano e meio de construção.

 

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Violência, sucumbida pela razão. Sonho?

Após assistir o noticioso na TV, em que entre reportagens a violência vem campeando de forma crescente, passando a ser destaque diário, ao desligar o aparelho, me pus a pensar o que será de nós a mercê desta degradante situação, onde estamos passando a refém de facínoras, bandidos e toda espécie de marginais no nosso cotidiano.

Procurando esquecer a TV, reportei-me ao saudoso amigo, Monsenhor Barbosa, cujo cabedal de histórias contadas, uma delas vêm de encontro ao momento atual, onde pela sua religiosidade, conseguiu demover um cidadão de praticar uma barbárie. Dizia padre Barbosa, que numa oportunidade quando no expresso das 6 horas com destino a Parapeuna, RJ, onde celebraria dois batizados numa fazenda limítrofe a Rio Preto, MG, algo o perturbou e, porque não, o assustou diante da cena ocorrida no interior do vagão, a qual o levou a se envolver por ser um padre.

Ao ocupar o assento, ao seu lado estava um cidadão, típico daqueles sisudos “coronéis” latifundiários, calados de poucas conversas, que esparramado à poltrona, limitou-se a manter o semblante fechado, mesmo cumprimentado por padre Barbosa. Seguia a viagem, quando o tal homem ergueu-se e pôs-se a fuçar sua mala no bagageiro. Nisso, Barbosa ao olhá-lo, observa sob seu paletó de linho, preso ao cinto, um coldre a mostrar luzente revolver. Sentando-se, tendo à mão uma caixa, abriu e passou a retirar cartuchos, e logo em seguida, desatou o coldre sacando a arma, se pondo a carregá-la. Sob olhar de perplexidade, Barbosa observa que a cada projétil colocado no tambor, vinha seguido por beijos, como se fosse uma lubrificação a facilitar à trajetória no cano. Concluída toda misancene, de súbito o cidadão virando-se a Barbosa profere: - Padre poderia me abençoar? E logo a seguir pediu também que abençoasse seu revolver com água benta, pois precisaria de muita proteção na incursão que iria enfrentar em Parapeuna. Padre Barbosa que já se mantinha perplexo perante aquela chocante apresentação pública, mais chocado ficou, pelo petulante e ignóbil pedido, a ponto de tirá-lo da sua passividade religiosa, perguntando o porquê desta agressividade, a solicitar este tipo de proteção. Confidenciando o motivo, o qual dizia ser uma confissão e, portanto, um segredo inviolável, segredando-lhe ao ouvido, pôs-se a confessar – (Esclareço que esta confissão não foi considerada por padre Barbosa, portanto, contou-me sem ser uma violação).

Disse o homem, que um fazendeiro estava lhe devendo há dois meses, pela aquisição de 120 cabeças de gados, uma boa quantia e esquivava-se em saldá-la. Inclusive deixou recado a um peão meu, que se fosse procurá-lo o receberia à bala. Daí então resolveu enfrentá-lo. Barbosa ouvindo aquela absurdez, retornando a sua abalada serenidade, já tomando ciência que o algoz do destemido e violento “coronel”, era nada mais nada menos que o fazendeiro da fazenda onde seriam realizados os batizados, resolveu interceder na animosidade, que o entregasse a arma, pois rogaria a Deus que haveria uma solução e a violência seria banida, pela razão e o bom senso entre os homens. Mesmo um tanto resistente, entregou-lhe o revolver. Solicitando a orar, fizeram as orações e ai sim recebeu a benção desejada com água benta sendo aspergida.

Na fazenda, apresentado como seu “amigo” até então, os dois temíveis coronéis à presença de Padre Barbosa, se entenderam, com parte da divida quitada e o caladão “coronel”, convidado a assistir a cerimônia de batismo dos netos do ex-algoz, inclusive com a presença no almoço.

Já de volta, embarcados no expresso da tarde, padre Barbosa é pego de surpresa, com o pedido do “coronel” em visitar sua fazenda às proximidades de Valença, pois com a parte do dinheiro recebido, daria início à construção de uma orada na propriedade, cujo padroeiro seria São João Batista e ele, Padre Barbosa, colocaria a pedra fundamental e seria o vigário permanente, tendo a missão de realizar seus ritos sacerdotais e pastorais juntos aos seus fiéis, não só da fazenda como às cercanias.

E assim, Padre Barbosa teve seu sonho realizado, ou seja, ter sua igreja a cuidar. Por intercessão de São João Batista, que pelas orações de Barbosa, fez daquela pacificação entre dois “temidos” coronéis na realização do seu sonho; ou seja, ter sua igreja, Capela de São João Batista, após ano e meio de construção.

 

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